NO ESCÂNDALO DO BANCO MASTER O OSCAR VAI PARA...
Em mais um golpe financeiro cinematográfico, o verdadeiro vilão segue intocável, livre, leve e solto.

A história do filme de terror das operações fraudulentas do banco Master tem aspectos cinematográficos muito destacados, mas, por razões que vão da mais pura inocência a mais intensa crueldade, não joga luz sobre o ator principal da trama.
Os vilões são, dia sim e outro também, citados pela grande, média, pequena, alternativa, independente ou associada imprensa. Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Ibaneis Rocha, Roberto Campos Neto, Paulo Henrique Costa, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e sua cônjuge... Ufa! A lista para indicação ao “Oscar” é grande!
Os sustentáculos financeiros também transbordam. É Reag, é Grupo Fictor, e toma BRB de um lado, e topa com Rioprevidência de outra banda... Neste quesito, também serão muitos os “indicados”. A cada novo “envelope” aberto pelos investigadores da Polícia Federal, um novo “concorrente ao prêmio” se apresenta. A quem diga que se o ator principal decidir por uma entrevista coletiva (também chamada de delação) a indústria cinematográfica político-criminal sofrerá uma hecatombe digna de uma erupção do Monte Tambora.
A porrada no estômago é tão forte que até o Supremo Tribunal Federal – uma espécie de Olimpo da elite brazuca – decidiu tratar de um código de ética para dar limites aos deuses intocáveis.
Agora, percebamos, o verdadeiro MAL segue sem ser incomodado. O CAPITALISMO SELVAGEM já é o grande vencedor!
Todos os personagens e instituições mencionadas neste e em todos os outros escândalos similares produzidos aqui e em qualquer outro lugar do mundo moderno é nada mais nada menos que produto do sistema capitalista.
Há pouco tivemos a quebra da bolsa de Nova Iorque (sim, isso foi há pouco menos de cem anos; um piscar de olhos na história da raça humana). As economias, os empregos e as vidas de muita gente foram ceifados nesse processo, natural e comum para o capitalismo raiz. Ah, a “mão invisível” do mercado resolve! Parece que ela só não consegue ressuscitar os mortos que esse insignificante evento gerará.
Já no século XXI, tivemos o estouro da bolha imobiliária norte-americana. Época diferente; os mesmos efeitos! Empregos foram pulverizados. Economias foram tragadas. Vidas se foram, enquanto alguns plutocratas em Wall Street seguiram recebendo generosos bônus que permitiram aumentar a frota de jatinhos particulares, as bandejas que serviam champagnes e outras substâncias em carreiras, as mansões, as contas bancárias em verdadeiros paraísos. Ao custo administrável da “perda” de uns Lehmann Brothers.
Por aqui, Lehmann e seus brothers diziam nada saber sobre o que faziam seus CEOs e administradores que por mais de uma década manipulavam balanços das Americanas, pagando a si mesmos faraônicas bonificações que premiavam o sucesso de seus fracassos. Ora, o que é uma fraude de 40 bilhões de reais se quem vai pagar a conta – moral inclusive – não são os ocupantes da cobertura?
Aconteça o que acontecer com essa história, o capitalismo já venceu e sairá dela sem nenhum arranhão. Esse sistema, que transforma a tudo e a todos em produtos comercializáveis, não está sendo questionado. As prisões – se vierem – apenas constituirão uma boa “resposta” aos que, cegos, anseiam por “justiça”. E ele, o capitalismo cruel, covarde, insensível, faminto, seguirá seu rumo, sem ser incomodado.
E seguindo seu rumo produzirá novos escândalos. E quando eles vierem, faremos de conta que estaremos chocados, indignados, ansiosos por justiça. Seremos, na verdade, conduzidos pelos pastores de ternos bem cortados a não fazermos a principal pergunta a nós mesmos: POR QUE DIABOS NÃO APRENDEMOS QUE O CAPITALISMO NÃO FAZ CONCESSÕES?!


